10 Maneiras de ter uma melhor conversação

10 Maneiras de ter uma melhor conversação

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Falo com as pessoas de quem gosto. Falo com pessoas de quem não gosto. Falo com pessoas com quem discordo profundamente a nível pessoal. Mas continuo a ter uma conversa maravilhosa com elas. Vou passar a ensinar-vos a falar e a escutar.

Muitos de vocês já ouviram muitos conselhos sobre isto, coisas como olhar a pessoa nos olhos, pensar em temas interessantes, antecipadamente, olhar, concordar e sorrir para mostrar que estamos a prestar atenção, repetir a última coisa que escutámos ou resumi-la. Quero que esqueçam tudo isso. É lixo.

Não há razão para aprender como mostrar que estamos com atenção, se, de facto, estamos com atenção.

Vou ensinar-vos como entrevistar pessoas. Isso vai ajudar-vos a ter melhores conversas. Aprender a ter uma conversa sem perder tempo, sem ficar aborrecido, e, Deus nos livre, sem ofender ninguém.

Já todos tivemos conversas maravilhosas. Já as temos tido antes. Sabemos como são. O tipo de conversa em que nos sentimos envolvidos e inspirados, ou sentimos que fizemos uma verdadeira ligação ou que fomos perfeitamente compreendidos. Não há razão para que as interações não possam ser assim.

Tenho 10 regras básicas. Vou guiar-vos através delas. Mas, sinceramente, se vocês escolherem só uma e a dominarem, já terão melhores conversas.

Número 1: Não façam várias coisas ao mesmo tempo. Não quero dizer que ponham o telemóvel de parte, ou o “tablet”, as chaves do carro ou o que tiverem na mão. Quero dizer, estejam presentes. Estejam nesse momento. Não pensem na discussão que tiveram com o chefe. Nem naquilo que vão comer ao jantar. Se quiserem acabar com a conversa, acabem com a conversa, mas não fiquem metade dentro e metade fora.

Número 2: Não pontifiquem. Se querem dar a vossa opinião sem oportunidade de resposta, discussão, objeção ou desenvolvimento, escrevam um blogue.

Têm que entrar em cada conversa, assumindo que têm algo a aprender. O famoso terapeuta M. Scott Peck dizia que para escutar a sério precisamos de nos distanciar de nós mesmos. Por vezes isso quer dizer pôr de lado a nossa opinião pessoal. Ele dizia que, ao sentir essa aceitação, o orador se tornará cada vez menos vulnerável e mais disposto a abrir o espaço interior da sua mente ao ouvinte. De novo, assumam que têm alguma coisa a aprender.
Bill Nye: “Cada pessoa que vocês encontram sabe qualquer coisa que vocês não sabem.” Eu digo-o desta maneira: Todos somos versados em qualquer coisa.

Número 3: Usem perguntas de final aberto. Eu pego numa pista de jornalistas. Comecem as perguntas com quem, o quê, quando, onde, porquê ou como. Se usarem uma pergunta complicada vão receber uma resposta simples. Se eu perguntar: “Você estava aterrorizado?” vou obter uma resposta à palavra mais poderosa da frase que é “aterrorizado”, e a resposta será “Sim” ou Não”. “Estava irritado?” “Sim, estava muito irritado”. Deixem que eles o descrevam. Eles é que sabem. Tentem perguntar-lhes coisas como: “Como é que foi?” “Como é que se sentiu?” Porque eles terão que parar um momento pensar nisso, e vocês terão uma resposta muito mais interessante.

Número 4: Vão ao sabor da maré. Isto quer dizer que afluirão pensamentos à vossa cabeça e vocês terão que deixá-los sair cá para fora. Assistimos muitas vezes a entrevistas em que um convidado fala durante minutos e depois o apresentador volta a fazer-lhe uma pergunta que parece surgir de nenhuma parte ou que já foi respondida. Provavelmente, o entrevistador deixou de escutar há dois minutos porque estava a pensar nessa pergunta inteligente, e estava determinado a dizer aquilo.

Número 5: Se não sabem, digam que não sabem. As pessoas na rádio, têm mais consciência de que estão a ser gravadas, portanto são mais cuidadosas a afirmar serem especialistas e a afirmar que têm a certeza. Façam isso. Sejam cautelosos. Falar não deveria ser barato.

Número 6: Não comparem a vossa experiência com a deles. Se eles falam duma morte na família não falem do momento em que perderam uma pessoa de família. Se eles falam dos problemas que têm no trabalho, não lhes digam quanto detestam o vosso. Não é a mesma coisa, nunca é a mesma coisa. Todas as experiências são individuais. Mais importante ainda, não se trata de vocês. Vocês não precisam de aproveitar esse momento para provar como são bons ou quanto sofreram.
As conversas não são uma oportunidade de promoção. [- Como vais? – Lê o meu blogue!]

Número 7: Tentem não se repetir. É condescendente e muito aborrecido e temos muita tendência para isso. Especialmente nas conversas de trabalho ou nas conversas com os filhos, temos um ponto a estabelecer, por isso continuamos a reformular a frase vezes sem conta. Não façam isso.

Número 8: Evitem os pormenores. Sinceramente, as pessoas não se interessam pelos anos, pelos nomes, pelas datas, por todos esses pormenores que vocês se esforçam por não se esquecer. Eles não se interessam por isso. Eles interessam-se por vocês. Interessam-se por aquilo que vocês são, por aquilo que têm em comum. Por isso esqueçam os pormenores. Deixem-nos de fora.

Número 9: Não é a última, mas é a mais importante. Ouçam com atenção. Não posso dizer quantas pessoas importantes disseram que ouvir com atenção é a capacidade número um, a mais importante que vocês podem cultivar. Buda disse, e eu vou parafraseá-lo: “Se a tua boca está aberta não estás a aprender”. E Calvin Coolidge disse: “Nunca ninguém escutou quando está a sair do trabalho”.

Porque é que não nos ouvimos uns aos outros? Número 1, quase nunca falamos. Quando eu falo, estou sob controlo. Não tenho que escutar nada que não me interesse. Sou o centro das atenções. Posso reforçar a minha identidade. Mais há uma outra razão: Nós distraímo-nos. Uma pessoa vulgar fala cerca de 225 palavras por minuto, mas nós conseguimos escutar até 500 palavras por minuto. Assim, o nosso espírito preenche as outras 275 palavras. Isso exige esforço e energia para prestar atenção a alguém, mas se não conseguirem fazer isso, não estão a conversar. São duas pessoas a gritar frases pouco relacionadas no mesmo lugar.

Têm que se escutar um ao outro. Stephen Covey disse isso de modo muito belo: “Muitos de nós não escutamos na intenção de perceber. “Escutamos na intenção de responder.”

Número 10: Sejam breves.

Uma boa conversa é como uma minissaia; suficientemente curta para manter o interesse, suficientemente comprida para cobrir a matéria.

Tudo se resume a este conceito básico: Estejam interessados nas outras pessoas.

Saiam, falem com as pessoas, escutem as pessoas, e, mais importante, estejam preparados para se surpreenderem.

Author: Carlos Barros

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