Ísis - entre (Nut) e (Get)
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Surgindo como fruto dos amores entre o céu (Nut) e a terra (Geb).
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são os gestos simples que me decoram
neles derramo todas as palavras belas
em que o meu corpo canta por ti
apenas preciso saber se um dia me lerás
em palavras e gestos da forma como te sinto:
Serena, tranquila e segura…
Paula Isabel
***[são Ondas que as descrevem...nelas animo os meus passos]
Passo a passo
junto ao mar… rodopio ao som da minha música inventada, solto palavras de quando em vez...e, surpreendo-me com a harmonia!
- Os Deuses devem estar loucos!
Ou louca estarei eu.. reflicto um pouco, mas desse pouco nasce outro tanto...e, em sinal de espanto, com as ideias que me assaltam, entro agora no mar, para refrescar as ideias e o meu corpo quente, demente de sonhos e de saudades…
A música sobe de tom, e as palavras agora salgadas, saltitam ao sabor das ondas, ondulam, mergulham, crescem, descem, numa sintonia de [A]mar…
Saio molhada de mar e de amar… Liberta!
E, os passos de par em par… com os outros, já marcados à beira do mar, soltos, junto aos outros, tingem o caminho de regressar…
Paula Isabel
Neste belo jardim....
cultivo de palavras
em asas de emoções
correm Outonos
em folhas coloridas
abraçando vidas…
Neste jardim de canto
encanto de ti!
habitam laços
partilhas, abraços
e às vezes
parece-me ver
apenas às vezes
parece-me sentir
o jardim a florir
num paradoxo
multiplico flores
espalhando na relva
orgias de cores
e às vezes
parece-me ver
apenas às vezes
parece-me escutar
o voo breve de um pássaro.
Paula Isabel
É esta a visão que tenho!
quando te sinto na bruma da maré,
no vento que me açoita delicado,
que me enlaça e me sussurra amor…
e que espera de mim,
a volúpia adivinhada pela vontade de te mimar…
É esta a visão que tenho!
da criação, da liberdade,
quando a água me beija,
e me chama a procurar certezas em infindáveis (in)certezas…
de entre gotas imensas de mar…
É esta a visão que tenho!
quando sigo no vértice do vento,
na crista da onda do mar,
para aí chegar,
onde culmina o meu e o teu tempo,
e tudo o que invento,
para saberes que existo,
Aqui e aí,
onde o vento soprar e o mar alcançar
só para te poder amar!
É esta a visão que retenho profética de ti…
e que conservo egoísta
do esplêndido amor que já sei meu!
Paula Isabel
tenho o olhar perdido
no horizonte em que te desenho
em protesto da tua falta!
Ísis
Navego,
em rio de palavras…
e aprecio:
delírios de sentires
serpenteiam cada margem
da terra de sonhos renovados
há dias que naufrago nas palavras
sucumbindo no seu fulgor…
[...]
ondas crescem a revelar
o meu corpo, o rio tornado mar
nada é perdido
no silêncio súbito que me assalta
e antecipa a lágrima exultante
por um instante Eterno
Navego
nesse rio
atenta ao porto que me abriga
no entardecer desse poema
que aceno VIDA!
Paula Isabel



Quando penso...
o meu olhar parte a gosto
paira, suspenso
devassando o tempo
neste capear
novelo, desvelo o sonho
o tudo estremece
no tudo que acontece
Quando penso...
ajo, reajo , renovo
e ressuscito neste meu grito:
- Basta!
chega de vida parada
de meia verdade
de falsidade
Quando penso…
fragmento, segmento em tentação
do meu olhar suspenso
noutra dimensão
sem espaço no passo de regressar
Paula Isabel
Pudesse eu um dia
demorar-me eternamente
na quietude desse abraço…
Pudesse eu respirar ...
adormecer sem medo de te perder
guardar o sorriso, a ternura
no azul do mar
demorar o tempo para descobrir a âncora que não me deixe naufragar
....voltar ...mesmo que a vida possa mudar!
Paula Isabel
Habito de novo o moinho
em velas de vento
murmúrios soprados, bafejados ao ouvido
acordo de mim e sei-me de ti
rasgo-me de sons, músicas, contos que componho
invado-me de estórias, de memórias
surpreendo-me no mundo em que habito
Fico
em velas de vento
aromas de rosmaninho e alecrim
sei-me de ti e acordo de mim
sei-te no orvalho da manhã
na terra fértil
no sol do entardecer
Adormeço de cansaço no abraço que me acolhe...
Paula Isabel
Há momentos eternos
conversas inesquecíveis
sintonias, reciprocidades
Dias mágicos de encantar
dias que embalam noites
acalentando vida
em jeito de guarida
Há momentos E[Ternos]
Que emprestam à memória
cantos, encantos
em recantos de estórias…
Há momentos efémeros… que enfeitam o SORRISO!
Paula Isabel
Quando a água me beija,
e me chama a procurar certezas em infindáveis (in)certezas…
de entre gotas imensas de mar…
Sigo no vértice do vento,
na crista da onda do mar,
para aí chegar,
onde culmina o meu e o teu tempo,
e tudo o que invento,
para saberes que existo,
aqui e aí,
onde o vento soprar e o mar alcançar…
Paula Isabel
Nunca te trouxe tanto
E tão pouco pedis-te nada
Mas do nada nasce tudo
E o tudo de tímido não tem nada
E agora quero também tudo e nada
Tudo e tanto, tanto, tanto…
Paula Isabel
Pintei a tua imagem, na minha imagem....
nuas as duas
tímidas a baloiçar ...
rolam, rebolam… ao som de amar
viram-se reviram-se,
ao ritmo molhado de tão belo bailado
a timidez esgueirou-se amedrontada
tanta loucura já consumada
(tanto amor urgente
por tão longa espera)
Pintei
a minha e a tua imagem
que se fundem e confundem
ao trilhar o mesmo caminho da descoberta
(constatam a afinidade crescente
de um amor transcendente)
Contemplo-as amantes
fascinada reproduzo mais mil imagens
que projecto para o etéreo…
transformando todos os afectos
À nossa imagem…
Paula Isabel
De que adianta saberes-me de cor
Tacteares-me com os teus dedos
Afagares os meus cabelos nos momentos de desejo
Se noutros momentos apenas vês metade de mim
A outra metade não achas
já nem sabes o caminho
E de que adianta o caminho
Se as estradas são tão diferentes
De que adianta metade de mim
Se a outra metade sou Eu
De que adianta admirares os meus olhos
Se não sentes falta do brilho
Sabes de cor o caminho para o meu corpo
E de que adianta o meu corpo
Se não vês a minha alma
Vais perdendo o caminho do meu coração
E a metade que sou EU
Refugiasse nas palavras
Veste-se de ilusão
A ilusão feita de papel e lápis
Deixa nu o meu coração
E de que adianta
Se tu não vês ?!!
A metade que sou EU
Paula Isabel
Neste vento que me açoita delicado
sopram palavras
sonhos desejos
versos que de cor em(laço)
de amor
nesse embaraço
partilho o abraço
em devaneio deixo me ir
em trovas de enleio
neste vento que me açoita
resgato todos os abraços e beijos
que te dei
abrindo janelas de par em par
todas as janelas que deixas-te por abrir
na tua pressa de fugir
esquecendo a chave na minha mão
deambulas no tempo perdido
na ânsia de uma qualquer mulher
em busca de auxílio
mergulhas no exílio
perdido sem ter
cego sem ver
que o que procuras
esteve a teu lado
cego sem ver
procuras a mulher
que o teu silêncio afastou
deixas-te fugir
a mulher que te amou
esquecendo a chave na minha mão
de mulher em mulher
enganas o coração
cresce a solidão
Paula Isabel