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Marinha Grande. Subsídios para a sua história

by on 5 de Novembro de 2013
 

João Rosa AzambujaProsa

Marinha Grande. Subsídios para a sua história

“Um Trecho de “Marinha Grande. Subsídios para a sua história” (inédito)
Escolhido pelo Dr. Vítor Hugo Beltrão *

D. Dinis foi o primeiro benfeitor das populações que vieram trabalhar no Pinhal.

Repartiu por eles as terras para agricultarem e se poderem fixar. Deu-lhes toda a madeira para construírem os cómodos, as tenhas para se aquecerem e cozinhar e os matos e estrumes para adubarem as terras.

É desse tempo, que talvez tenha vindo a ideia de que o Pinhal é do Povo, pois, segundo alguns historiadores, nos primeiros tempos dizia-se: “O Pinhal é de todos aqueles que lá quiserem ir buscar madeiras e lenhas”.

Mais tarde, o Príncipe Regente D. João, influenciado por Guilherme Stephens que pretendia que os terrenos arenosos fora do aceiro exterior fossem agricultados para enriquecer a região, mandou ceder aos agricultores esses terrenos.

Em 1826, já Rei, D. João VI, manda dar aos povos já consolidados: “As madeiras que lhes eram indispensáveis para o laboratório das suas lavouras, assim como lhe facilita o tirarem da mata a madeira de medrônho e samouco, o ervado, as varolas, a caruma e a folhagem”.

Também D. Maria l fez algumas concessões: “Autorizou que os lavradores, quando trabalhassem no serviço das Matas, pudessem apascentar os seus gados dentro do Pinhal.”

D. Maria II, por proposta de Frederico Varnhagem, concede mais regalias: ” … que o terreno ainda não agricultado, seja sorteado em favor dos habitantes das Povoações contíguas, que o requerem, atendendo-se primeiro aos que não possuírem porção alguma e seguindo-se a estes os que possuem menor porção…”

Os Serviços Florestais ainda hoje permitem às populações retirar do Pinhal, gratuitamente a caruma, matos, pinhas, galhos, achas, varas com menos de 0,056 m [diâmetro], braças secas, etc., produtos que na década de 1940 foram o fulcro. à volta dos quais viveu parte da população limítrofe, que procurava na Mata, através desses produtos que vendia, o seu sustento.

Eram filas de mulheres atrás dos seus barricos, apetrechados com seirões ou com cangalhos; eram carros puxados por vacas; eram raparigas transportando à cabeça feixes de caruma, como um enorme formigueiro humano entrando na Mata ao romper do Sol.

Do Pinhal viveu quase exclusivamente a população do Pilado: as mulheres e as crianças no fabrico do carvão com lenhas tiradas da Mata; os homens trabalhando no derrube de braças secas dos grandes pinheiros (utilizavam para isso uma vara com mais de 20 metros em cuja extremidade era preso um gancho em ferro); arrancando cêpos ou “fazendo”‘ lenha que e utilizada, em grandes quantidades pelas fábricas de vidro.

Também a Mata tem dado trabalho a muita gente. São resineiros (hoje o trabalho é feito por raparigas), limpeza dos aceiros e arrifes, as sementeiras, etc.

*) Autor de alguns artigos relativos à história recente local (indústria de moldes) acompanhou de perto a pesquisa de João Rosa Azambuja, cujos textos conhece em profundidade.

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