Palavras
1036 views 0 comments

António Arala Pinto

by on 3 de Novembro de 2013
 

António Arala PintoAntónio Arala Pinto nasceu em 13 de Setembro de 1888, na Ribeira, Ovar. Aí viveu cerca de um ano, após o que passa a residir em Lisboa.
Foram seus pais Júlia Augusta Estêvão Arala Pinto e Francisco António Pinto, ambos naturais da região de Ovar.

Francisco António Pinto era juiz. Realizou também algumas viagens de exploração em África, das quais deu conta num cicio de conferências proferidas na Sociedade Portuguesa de Geografia em 1886 e reunidas no volume Angola e Congo. Conferências (Livraria Ferreira, 1888). Mais tarde, António Arala Pinto agregaria ao exemplar desse volume conservado na família algumas cartas então dirigidas a seu pai, a propósito das referidas conferências, por conhecidos vultos da cultura portuguesa da época – entre os quais se contam Antero de Quental, Pinheiro Chagas, Hermenegildo Capelo ou Oliveira Martins.

António Arala Pinto estudou em Lisboa, na Escola Politécnica. Cerca de 1912-14, após a morte da mãe, passa largos meses no Brasil. Regressando, inscreveu-se no Instituto Superior de Agronomia, vindo a formar-se como engenheiro silvicultor.
Entrou ao serviço das Matas Nacionais em Março de 1922, colocado na 3ª Circunscrição Florestal (Mata de Leiria) onde trabalhou até se aposentar, em 1957. Chefiou a Circunscrição desde 1927. Durante a sua longa permanência na Marinha Grande viveu num dos chalets do Parque do Engenho.
À sua actividade profissional António Arala Pinto juntou o estudo científico dos temas florestais, sobretudo do pinheiro. Colaborou em publicações especializadas, nacionais (como as Publicações da Direcção-Geral dos Serviços Florestais e Agrícolas ou a Indústria Portuguesa) e estrangeiras (como Le Sud-Ouest économique e Le Portugal au poínt de vue agricole). Participou em encontros de estudiosos. Publicou também trabalhos de divulgação, destinados a um público mais vasto, de que é exemplo o volume As árvores, dedicado ” aos rapazes de Portugal” e também (na terceira edição) aos guardas florestais.

O apreço de Arala Pinto por esta classe profissional encontra-se ainda patente na fundação, que promoveu, do Grémio Florestal, destinado (nos termos dos respectivos Estatutos) à “instrução, distracção e recreio dos sócios pela leitura, reuniões de famílias e jogos recreativos, conferências e diversões teatrais” e na veemência com que, n’ O Pinhal do Rei, se insurge contra a diminuição dos montantes salariais daqueles funcionários, que o Estado Novo acabava de impor. Também alguma da sua correspondência oficial enquanto chefe da Circunscrição revela preocupações quanto às condições de trabalho e remuneração dos seus subordinados.

Na qualidade de responsável pelo Pinhal, Arala Pinto pertenceu no início dos anos 1930 ao Conselho Consultivo da Fábrica Nacional. Nessa altura conturbada da vida da Fábrica, redige os dois opúsculos A crise vidreira (1931 e 1932), nos quais desenvolve as suas convicções em relação à melhor forma de ultrapassar os problemas de então. As teses que defende são diametralmente opostas às do Administrador da Fábrica na época, Calazans Duarte, verificando – se acesa e interessante polémica entre ambos. É também durante a permanência de Arala Pinto à frente da Circunscrição Florestal que muitos vidreiros trabalham temporariamente no Pinhal, designadamente na construção de estradas. Correspondência oficial da época revela a sua preocupação e as suas diligências para obter as verbas destinadas a pagar esses trabalhos. Além dos textos técnicos, Arala Pinto escreveu textos literários: ensaio (Duas dívidas. D. Dinis e o nacionalismo de Afonso Lopes Vieira, conferência proferida em 1951 na Casa do Distrito de Leiria e depois publicada em opúsculo); conto (Contos para miúdos e graúdos,1941); teatro (Maria do Rosário, 1945, e a revista O Pinhal Real, que escreveu propositadamente para ser representada em 1936, em benefício do Grémio Florestal.
Parcela significativa das suas publicações, porém, compõe-se de estudos locais: o artigo “A tradição no progresso do distrito de Leiria”, texto de comunicação apresentada ao 1º Congresso das Actividades do Distrito de Leiria, em 1944 (também publicado em opúsculo) e, sobretudo, O monumental trabalho O Pinhal do Rei (1937-38) dois volumes compilando documentação e informações variadíssimas, até hoje de consulta indispensável. Na verdade, ao estudar a Mata Arala Pinto não se limita aos aspectos propriamente silvícolas: contextualiza-os num quadro social e histórico mais vasto, assim elaborando uma obra do maior relevo para todos os interessados no passado do Pinhal e no passado da Marinha Grande. Arala Pinto casou em 1922 com Maria Felismina Reimão. Barbedo. Em 1957 aposenta-se por doença, passando então a viver em Lisboa, onde falece em 30 de Março de 1959.
Já antes dessa data, em 13 de Agosto de 1953, a Câmara Municipal deliberara atribuir o seu nome ao parque infantil então construído em São Pedro de Moel. Mais tarde, em 12 de Abril de 1966, o mesmo é decidido em relação a uma das ruas da Marinha Grande

Bibliografia do Autor:

1922, As árvores, s. I., ed. autor.
1931, A crise vidreira (1), s. I., ed. autor.
1932, A crise vidreira (@1), Leiria, – ed. autor.
1935, As árvores, s. I., ed. autor (2′ edição).
1936, ‘0 Pinhal Real’ (teatro), manuscr..
1938, O pinhal do rei. Subsídios, Alcobaça, ed. autor,
1941, Glória ao Mestre”,AAVV, 1941,ln Memoriam Prof. Dom António Xavier Pereira Coutinho, Porto, Empresa Diário do Porto, Lda..
1941, Contos para miúdos e graúdos, Alcobaça, ed. autor.
1943, “Fogos” (comunicação ao 1 Congresso Nacional de Ciências Agrárias), Publicações da Direcção-Geral dos Serviços Florestais e Agrícolas, vol. X, tomo 11: 355-372, Lisboa, Direcção-Geral dos Serviços Florestais e Agrícolas. Também separata, 1943.
1944, A tradição no progresso do distrito de Leiria (comunicação ao 1 Congresso das actividades do Distrito de Leiria), Alcobaça, ed. autor.

1945, Sem título (discurso em sessão de homenagem a A. Calazans Duarte). Transcrito n’ A Voz da Marinha Grande, 22.02.1945.
1945, “Vozes da floresta’ (conferência no Instituto de Serviço Social), manuscr..
1945, Maria do Rosário (teatro), s. I., ed. autor.
1947, “As ferrarias da Foz d’Alge”, Indústria Portuguesa, n.º 228, Fevereiro 1947.
1947, “A pensar com os meus botões, nos rapazes e nos pinheiros’, Indústria Portuguesa, n.º 235, Setembro 1947.
1948, “Árvores e madeiras”, Indústria Portuguesa; n.º 254, Julho 1948.
1948, “Surpresas e ensinamentos colhidos no Pinhal de Leiria”, Lisboa, Sociedade de Ciências Agronómicas. Também publicado em Indústria Portuguesa, n.º 250,1948, sob o título “Origem verosímil do pinheiro bravo em Portugal”.
1949, “Areias e aproveitamento na indústria manual e madeiras provenientes de “quasímodos” da floresta”, Indústria Portuguesa, n.º 257, Julho 1949.
1949, “A indústria das limas e o Pinhal de Leiria”, Indústria Portuguesa, n.º 262, Dezembro 1949.
1952, As árvores, s. I., ed. autor (3ª edição).
1952, Duas dívidas: D. Dinis e o nacionalismo de Afonso Lopes Vieira, -s. 1. [Leiria], Comissão Municipal de Turismo de Leiria.

in: VIDAS PASSADAS OBRAS PRESENTES
(pinhal do rei – documentos concelhios)
Exposição Documental e Bibliográfica
Câmara Municipal da Marinha Grande
(projecto Núcleo de Arquivo e Documentação)

Outras áreas de Palavras